Em longa entrevista à revista Q, Paul Weller fala sobre novo disco, política e sobre a morte de seu pai

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24 de abril de 2010 por osagaz

Por Ricardo Pierre

Paul Weller, lendário músico que foi líder de uma das bandas mais importantes da década de 80, o The Jam, concedeu uma longa entrevista ao jornalista Andy Thomson, da revista britânica Q, para divulgar seu último álbum, Wake Up the Nation, lançado no último dia 19. Nela, o guitarrista fala sobre o processo de composição do álbum, sua gravação, política e sobre o relacionamento com seu pai e empresário, John Weller, morto em 2009.

Weller disse à revista que Wake Up the Nation, décimo disco de sua carreira solo, não foi planejado. “Foi apenas quando Simon Dine, que produziu e co-escreveu as todas as canções, me mandou um CD com 10 ideias, na verdade quase rascunhos, e eu fiquei realmente animado, pois eu conseguia imaginar um álbum daquilo. Nós fomos a um estúdio por dois ou três dias e saímos com oito ideias diferentes, não totalmente acabadas, mas chegando lá, e ele [álbum] meio que surgiu daquilo,” afirma.

De acordo com o guitarrista, o som do novo disco, mais pesado e urgente que o seu antecessor, 22 Dreams, de 2008, foi resultado de várias conversas com o produtor. Segundo Weller, os dois estavam insatisfeitos com o que ouviam. “Isso veio a tona nas conversas. Nós estávamos infelizes com o que escutávamos, e queríamos fazer algo mais experimental e forte. Dine queria que o disco soasse mais urbano, algo que soasse um pouco mais pesado que 22 Dreams, que tinha seus momentos calmos.”

Segundo Weller, o produtor queria que o disco fosse mais crú. “Então, sua visão era algo como ‘sem violões’, apenas um disco cheio, enquanto minha visão era que – são 16 músicas no disco, e ele tem apenas 40 minutos por que elas são realmente curtas, dois minutos, dois minutos e meio, três minutos no máximo. Eu penso que isso compensou a curta duração do disco, pois pegou a urgência e energia da música, e tem um pouco de elegância e de raiva nele, coisas que nós achávamos que estava faltando.”

Assista o vídeo de The Changinman, presente no terceiro disco de Paul, Stanley Road, de 1995.

Além de música, Weller falou de diversos outros assuntos, como política. O músico disse que o caráter dos políticos é algo que sempre o perturba. “Bem, é algo que sempre me chateia, porque eles realmente são cães mentirosos, mas eu acho que isso não é uma novidade. Eu acho que sempre foi assim. Eu acho que políticos são muito insossos. É difícil dizer qual é a diferença entre todos eles. Nós temos a eleição que está chegando – eu sei que votarei para o Labour (partido de centro-esquerda, do primeiro ministro-britânico Gordon Brown) mas é apenas um voto contra os Tories (apelido dado aos membros do Partido Conservador), e isso não faz muita diferença, faz? Eles são o mesmo tipo de gente, as mesmas políticas,” diz.

Weller também falou sobre seu pai, John Weller, seu empresário desde o início dos anos 70 e que morreu em 2009 e sobre como a perda afetou seu trabalho. “Bem, foi difícil perdê-lo, porque ele é meu pai, o homem que eu amo, meu melhor amigo e muitas e muitas coisas a mais além de ser meu empresário – um empresário muito bom. Eu sinto muita falta do meu camarada mais do que qualquer outra coisa, sabe, mas eu não sei se isso… sabe, eu faria esse disco de qualquer forma e ele não está totalmente envolto numa nuvem negra, digo – às vezes você tem que aceitar essas coisas na vida. Isso é parte do ciclo da vida e sabe, isso não é legal, mas você tem que aceitar que essa é a vida e que você tem que dar graças por isso,” afirma.

O músico falou que seu pai e ele se divertiam bastante. “Eu fui muito, muito sortudo por tê-lo como pai, nós tivemos um ótimo relacionamento e ele era um ótimo pai e nós éramos camaradas, e você não precisa questionar mais nada sobre isso, entende? Eu meio que apenas penso nos bons tempos, sabe, e nós fomos sortudos por trabalharmos todo o tempo juntos, e nós também nos divertíamos, também. Nós bebemos em tudo quanto é bar no mundo – tente beber tudo seco… Então, eu olho para os bons tempos e se eu escrevesse qualquer coisa sobre sua morte isso teria… se eu me importasse em refletir ou escrever sobre isso, seria algo celebratório, não algo mórbido,” conclui.

Além do The Jam, Paul Weller também fez parte, na segunda metade dos anos 80, do grupo de synthpop/new wave The Style Council, sem o mesmo sucesso de sua banda anterior. Na década de 90, o músico inicou uma bem sucedida carreira solo. Seu terceiro álbum, The Stanley Road, de 1995, foi eleito o 46º melhor disco do mundo pelos leitores da revista Q.

Fonte: Q (magazine)

Crédito da imagem: Paul Weller website

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